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Logo do site Leia Quadrinhos, uma HQ aberta em tons terrosos
multidão de artistas LGBTQIAPN+ reunidos no festival do vale

HQs com orgulho: Grupo de estudos de HQs LGBTQIA+

Público·11 membros

As Confissões da Bahia

"As Confissões da Bahia" foi uma surpresa e tanto. A capa já dá uma dica bem clara sobre o tom da HQ e abri-la aleatoriamente pode ser um pouco constrangedor em público. Mas esse é também um dos maiores méritos da obra: é segura de si sem rodeios, sem censura, sem hesitação, sem vergonha. E talvez por isso cause espanto.

O enredo, por si só, não é mirabolante: Um membro do clero, o padre português Heitor Furtado de Mendonça, chega até a Bahia em missão para ouvir as confissões dos pecadores e expiar a danação de Salvador. Isso se deu em 1591, ao Santo Ofício da Inquisição — coisa que não é tão comentada aqui no Novo Continente, parecendo algo só da Europa, mas que não apenas repercutiu em nosso país quanto também aconteceu aqui. Os capítulos são os relatos coletados pelo inquisidor, com pecados que vão desde as coisas…


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Bendita Cura

Já tinha lido essa HQ no ano passado, então foi interessante revisitá-la tanto tempo depois. Acredito que minha percepção sobre a obra mudou depois nesse intervalo, ainda mais sabendo que a HQ foi originalmente publicado de forma seriada na internet. Acho que explicou algumas coisas, como ganchos ou capítulos que pareciam um tanto isolados. Sobre a obra em si, acho que o que chama atenção de cara é a decisão sobre cores que trazem uma camada de significação muito importante, com os cabelos e as roupas de Acácio ficando completamente azuis quando ele enterra sua orientação sexual; é o azul de "menino", de "macho". E alterna com o rosa quando ele está apaixonado ou se aceita. A HQ explora bem a sexualidade de uma forma crua e também naturalizada, com corpos nus e sexualidade adolescente aflorada, com masturbação e sêmen. Não achei desnecessário, até porque o assunto também é esse,…

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Pigmento

“Pigmento” foi a primeira dessas histórias que li e que não me agradou tanto. O quadrinho acompanha o dia a dia de uma tatuadora que, ironicamente, não consegue se tatuar. Isso está relacionado a certos traumas e dificuldades de aceitação que a protagonista tem consigo mesma. Com o passar da história, ela entra em um relacionamento e, a partir do entendimento mútuo, passa a conseguir se tatuar (ou, talvez, apenas observar as tatuagens, a narrativa sugere que ela é capaz de tatuar-se, mas não de vê-las).

A arte é muito interessante: tudo é em preto e branco, sem tons intermediários, simulando o estilo de uma tatuagem. Um dos aspectos mais marcantes é o fato de os personagens serem desenhados de forma andrógina, sem ressaltar características sexuais ou de gênero específicas.

O texto, por outro lado, me incomodou um pouco. Ainda que pareça uma escolha artística, as falas não possuem muita…


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Confissões da Bahia

“Confissões da Bahia” é um absurdo no melhor sentido da palavra! A HQ adapta as anotações feitas por um membro do alto clero da Igreja Católica que visitou a Bahia em uma missão para, segundo ele mesmo, “salvar o povo da Bahia da danação eterna”. A partir daí, a história se desenrola com os “pecados” sendo confessados a ele, pecados que para o tipo de sociedade conservadora e religiosa da época eram verdadeiros escândalos. Cada história é um “absurdo maior que o outro”, passando por temas como lesbianismo, orgias, tours sexuais e adoração de outros seres.

O quadrinho é colorido de forma muito interessante. Nos momentos em que vemos o mundo pelos olhos do protagonista, os quadros são em preto e branco, e os personagens aparecem sem expressão apenas com rostos de indiferença ou raiva. Já durante as confissões dos “pecadores”, o mundo ganha cor, e o estilo artístico muda…


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