top of page
Logo do site Leia Quadrinhos, uma HQ aberta em tons terrosos
multidão de artistas LGBTQIAPN+ reunidos no festival do vale

HQs com orgulho: Grupo de estudos de HQs LGBTQIA+

Público·11 membros

Pigmento

“Pigmento” foi a primeira dessas histórias que li e que não me agradou tanto. O quadrinho acompanha o dia a dia de uma tatuadora que, ironicamente, não consegue se tatuar. Isso está relacionado a certos traumas e dificuldades de aceitação que a protagonista tem consigo mesma. Com o passar da história, ela entra em um relacionamento e, a partir do entendimento mútuo, passa a conseguir se tatuar (ou, talvez, apenas observar as tatuagens, a narrativa sugere que ela é capaz de tatuar-se, mas não de vê-las).

A arte é muito interessante: tudo é em preto e branco, sem tons intermediários, simulando o estilo de uma tatuagem. Um dos aspectos mais marcantes é o fato de os personagens serem desenhados de forma andrógina, sem ressaltar características sexuais ou de gênero específicas.

O texto, por outro lado, me incomodou um pouco. Ainda que pareça uma escolha artística, as falas não possuem muita ligação entre si, cada frase soa quase independente das outras. Isso dificulta acompanhar a sequência de pensamentos dos personagens e faz com que, às vezes, suas ações pareçam sem fundamento. Em alguns momentos, parece que a história vai introduzir alguma crítica social mais profunda, mas essas tramas secundárias acabam sendo abandonadas, e o final ocorre de forma um pouco direta demais, sem uma catarse ou clímax marcante. O resultado é uma jornada emocionalmente plana, sem grandes altos e baixos.

No geral, a arte é muito bonita e estilizada. Possivelmente, todas essas escolhas foram decisões artísticas deliberadas da autora, mas para mim não funcionaram tão bem.


9 visualizações
bottom of page