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Logo do site Leia Quadrinhos, uma HQ aberta em tons terrosos
Desvios Transtornantes
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Um projeto que mistura histórias reais, arte engajada e um toque de rebeldia para falar sobre o que muita gente prefere ignorar: a vida, as lutas e a força de pessoas trans.

 

Desvios Transtornantes é isso — e um pouco mais!

 

Através de relatos íntimos e impactantes, a HQ joga luz nas violências que pessoas trans enfrentam diariamente, mas também celebra sua resistência. 

Para quem nunca pisou num salto alto ou ouviu um xingamento no meio da rua, a obra é um soco no estômago — seguido de um abraço.

 

Mostra que a violência não é mimimi, mas assunto urgente.

 

E para quem é trans? Vira espelho, rede de apoio e um grito de você não está só. É acolhimento, choro compartilhado e resistência coletivo. É arrepio na espinha.

 

As histórias se entrelaçam como as ruas da cidade: às vezes escuras, às vezes cheias de grafites coloridos, sempre pulsantes.

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O Projeto

A ideia do projeto começa com uma memória minha, vítima de transfobia quando sequer sabia que mulher não era uma definição suficiente para mim.

 

Você pode ler o zine Desvios Transtornantes Zero grátis!

 

Viver essa dor me fez ter vontade de sumir, me fez ter vontade de gritar, me fez ter vontade de agredir, me fez chorar. Mas tive uma rede de apoio que me permitiu continuar caminhando.

Em desenho, Luana está de frente para Daitô, um dos entrevistados, que conta sobre sua experiência sendo pessoa Trans

Hoje me espalho pelas ruas de Ribeirão Preto, ouvindo pessoas transgêneros / queer / não-binárias de todas as idades, etnias e realidades para compartilhar essas vivências em uma obra inédita de histórias em quadrinhos!

Vai ter choro, momentos de acolhimento e de superação, mas vai ter muita fofoca boa também!

 

E aqui rola uma virada: você, leitor, vira coautor, organizando páginas e decidindo onde as histórias se conectam (ou se rompem). 

Você é super importante para o projeto, podendo participar da criação de um mapa de Ribeirão Preto, marcando lugares na rua onde pessoas já soferam violência de gênero. 

No fim, Desvios Transtornantes não quer só transtornar — quer transformar. O mapa vira ferramenta para políticas públicas, as entrevistas viram documento histórico, e a arte vira arma de conscientização. É um convite para a repensar não só o que é gênero, mas o que é, de fato, humanidade.

 

É um projeto que diz: “Olha aqui, nossa existência é política, mas também é poesia.”

Vai encarar?

 

Pesquisa e Mapeamento

A pesquisa do Desvios Transtornantes está mapeando onde e como a violência de gênero acontece nas ruas de Ribeirão Preto, transformando relatos em arte e ação. Seu depoimento vai ajudar a criar um mapa-mutante-vivo, ilustrando locais de dor, mas também de resistência e acolhimento.

Você pode explorar mais o mapa ao lado, cliclando na opção de ver em tela cheia!

O primeiro passo é usar esses dados para obras e intervenções artísticas que denunciam, mas o plano não para aí: depois, essas informações serão cruzadas com coletivos e gestores públicos para pensar políticas que nos protejam.

Entre outubro e dezembro de 2025, realizamos uma pesquisa online em parceria com o projeto Voz que Transforma e as organizações da sociedade civil Casa da Mulher, com o objetivo de compreender como a violência de gênero se manifesta em Ribeirão Preto. Obtivemos 57 respostas de pessoas que compartilharam suas experiências.

Pelo tempo hábil de realização e pela equipe reduzida, não foi possível submeter o estudo a um comitê de ética. Ainda assim, a pesquisa não perde seu valor, uma vez que se alinha a outras iniciativas importantes de coleta de dados que também não passam por esse crivo, como os Dossiês de Violência de Gênero da ANTRA (Associação de Mulheres Trans e Travestis).

Por ter sido aplicada de forma online, a pesquisa alcançou um público específico. A maioria das respostas veio de mulheres cisgênero (61,4%), seguidas por pessoas não-binárias (22,8%), homens trans (7%), mulheres trans (5,3%) e outros (3,5%). A faixa etária predominante foi de 18 a 29 anos (38,6%), com concentração de pessoas brancas (63,2%), pretas (19,3%) e pardas (12,3%). Cerca de 22,8% das pessoas declararam ter alguma deficiência, com destaque para o Transtorno do Espectro Autista.

Os tipos de violência mais relatados foram constrangimento, humilhação e insultos (49,1%), seguidos de assédio sexual (21,1%) e violência sexual com contato ou estupro (12,3%). Ameaças, violência física e limitação do direito de ir e vir também apareceram, embora em menor proporção.

Um dos dados mais preocupantes é a subnotificação. Apenas 15,8% das vítimas registraram boletim de ocorrência. Entre os principais motivos para não registrar estão a descrença no sistema, com falas como "não seria levado a sério" e "a própria delegacia da mulher é pior", a naturalização da violência, o medo, a vergonha e a falta de provas.

A pesquisa tinha como foco principal a violência de gênero ocorrida em espaços públicos abertos. Por isso, foram desconsideradas para esta análise as ocorrências dentro de casa, no ambiente de trabalho, em instituições de ensino e em transportes. Consideramos apenas os relatos de violência vivida nas ruas, praças e demais espaços da cidade.

Nesse recorte, a região central de Ribeirão Preto aparece como o local com maior concentração de ocorrências, com 12 relatos, incluindo a Praça XV de Novembro, e arredores do Shopping Santa Úrsula e Sesc. Outros pontos críticos incluem os bairros Campos Elíseos (4 relatos), Vila Tiberio (3), Iguatemi (3) e Jardim Botânico (3), além de vias movimentadas como a Avenida Presidente Vargas.

Os relatos colhidos na pesquisa mostram a face cruel da violência cotidiana. Uma mulher trans contou como a transfobia a acompanha por onde passa: "É comum que homens façam assédio verbal transfóbico ou de cunho sexual se você é uma mulher trans sozinha andando pelas ruas." Outra pessoa não-binária descreveu o medo constante: "Quando voltava da faculdade de noite e sozinha sempre descia algum homem me seguindo ou me assediando, me chamando de sapatão e já ocorreu de eu xingar de volta e ameaçarem me pegar ou fazer algo pior."

Há também os relatos de assédio sofrido ainda na infância, que só foram compreendidos muitos anos depois. Uma mulher lembrou: "Eu era menina e brincava entre minha casa e a da vizinha, um pedreiro me viu sentada de pernas cruzadas e passou a mão na minha vagina. Foi a primeira vez que me deparei com a sensação de ser invadida e não ter sido ensinada a reagir."

O medo e a sensação de abandono institucional também aparecem com força. Uma jovem de 15 anos, assediada enquanto caminhava para a academia, resumiu o dilema de muitas: "Sou menor de idade, tive vergonha de contar para meus pais, além disso, fiquei com medo dos meus pais não permitirem que eu saísse mais de casa sozinha."

Os relatos também evidenciam que a violência de gênero nas ruas não atinge todas as pessoas da mesma forma. Mulheres trans e pessoas não-binárias relatam uma exposição constante à transfobia, que se manifesta em olhares, comentários, perseguições e assédio com intencionalidade explícita de atingir sua identidade de gênero. Mulheres pretas e pardas, por sua vez, trazem relatos em que o racismo aparece como componente da violência sofrida, seja em abordagens agressivas ou na forma como são tratadas por agressores.

Embora o número de respostas não seja suficiente para representar toda a violência de gênero que ocorre nas ruas da cidade, a pesquisa lança luz sobre um problema recorrente e estrutural. Os dados ajudam a entender padrões, silenciamentos e as dificuldades enfrentadas por quem vive essas violências no espaço público.

Os dados completos que coletamos está disponível aqui.

Entrevistas

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Colaboradores
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Esse projeto foi financiado pelo PROAC
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