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Minha experiência lésbica com a solidão

(alguns spoilers)


Esse mangá conta a história de uma garota que é infeliz com os empregos que arruma. Ela começa trabalhando em um mercado, mas mostra um vício em comer escondido. Depois quando sai desse trabalho, tenta arrumar outros e é sempre difícil as entrevistas, sempre difícil alguém querer contatá-la. E ela sabe o que quer de verdade, quer ser escritora de mangá. Mas acaba sempre fazendo o que os pais querem que ela faça. Eles tem um tom tóxico, que estão sempre criticando, e ela sempre tentando agradá-los.


A única parte que eu me indentifiquei foi a quantidade de entrevistas feitas e empregos negados. Porque o resto da história eu pergunto: O que tudo isso tem a ver com ser lésbica? Talvez pelo título, eu coloquei expectativas diferentes, pois de solidão lésbica eu pensei que contaria coisas das quais ela foi excluída e situações que passou, por ser lésbica.…


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Resenha de "Minha Experiência Lésbica com a Solidão"

Quadro da obra; a mulher senta-se no meio de uma bagunça e pensa consigo mesma que achava que sexo era inato, mas é comunicação.
Trecho da obra, em que Nagata conclui que "sexo é comunicação".

Posso elogiar a obra por ser muito honesta, mas fico mais incerta de elogiar muito mais além disso.


É claro que minha opinião pouco importa porque é a experiência pessoal da autora — Kabi Nagata — que, com 28 anos, se dá conta o quanto é uma pessoa sem traquejos sociais, incluindo sexo. Essa ansiedade pela própria virgindade a faz contratar uma "acompanhante" em uma agência e enfim ter uma experiência sexual que, diga-se de passagem, é a experiência menos sexual possível. A premissa é basicamente essa e não é bem um spoiler porque o começo já explica o geral que a fez estar naquela situação incômoda. No restante da obra, atravessamos os severos problemas com saúde mental e relações familiares de Nagata.


Primeiro, os merecidos créditos: Nagata explora bem a própria vulnerabilidade e até mesmo sentimentos que podem ser considerados humilhantes ou tabus, como a necessidade de validação e…


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O comentário que mais me chamou atenção foi sua crítica na obssessão própria de Nagato, então vou dissertar sobre ela aqui.


Acredito que o fato de Nagato repetir várias vezes como é "patética" pode ser uma faca de dois gumes. Aos olhos de alguém que teve uma experiência parecida em relação a saúde mental, pode ser acolhedor ao leitor e uma sensação de pertencimento mas ao mesmo tempo fazer ao leitor se sentir mais confortável em se afundar nessa "exploração voyeurística do próprio sofrimento" que você mencionou, e não a uma futura fuga do abismo mental.


Deste aspecto vejo ela como negativa. Porém, eu pessoalmente vejo o mangá quase como um "diário" de Nagato, ela relata suas experiências não apenas com objetivo de se relacionar com o leitor, mas de se expressar artísticamente em uma forma de desabafo.


Não vejo como negativa, nem positiva. Vejo como um desabafo de alguém sofrendo com transtornos mentais e não como um simples mangá. Não sei se me expresso bem, mas senti quase o mesmo sentimento lendo "O declíneo de um homem" de Osamu Dazai.

A força destruidora da repressão sexual (spoilers)

Tô recuperando aqui uma resenha que escrevi em maio de 2022, quando a minha pesquisa sobre representação da cultura incel nos quadrinhos estava no auge. Acho que alguns meses mais tarde ia escrever o projeto da HQ Aqueles Dias, que aborda esse tema. Acho pertinente essa resenha, por isso posto ela aqui agora, mas aviso, tem spoilers. ------------------ Vou tentar resgatar com todas as forças as minhas aulas de literatura da faculdade e tentar fazer uma análise comparada de dois mangás: Minha experiência lésbica com a solidão de Kabi Nagata publicado pela New Pop e Virgem depois dos 30 de Atsukhiko Nakamura e Bargain Sakuraichi. A ideia de tratar os dois ao mesmo tempo é justamente por abordarem a mesma temática mas com vieses diferentes.


Começando com Minha experiência lésbica com a solidão o livro é uma autobiografia que narra a saída da autora de um quadro de depressão e outros distúrbios…



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Minhas impressões sobre o quadrinho "Minha experiência lésbica com a solidão "


Eu gostei bastante da obra, principalmente por ser uma autobiografia bem honesta. O traço mais fofinho em estilo chibi, contrastando com os momentos em que a arte explode para mostrar o caos mental e visual da Nagata, funciona muito bem. Ela se despe de qualquer orgulho para mostrar suas falhas, como a busca desesperada pela aprovação dos pais, a falta de higiene nas crises e os distúrbios alimentares.

​No entanto, senti que o foco dela está muito mais voltado para essas questões depressivas e os conflitos internos da personagem do que na sexualidade dela em si. Embora a palavra "lésbica" esteja no título, a identidade sexual fica em segundo plano porque a autora está mergulhada na dor e na solidão profunda de ser uma virgem na vida adulta.

​Acho que depois da discussão do último encontro, tive uma outra perspectiva sobre a obra, principalmente com enfoque na questão incel, achei essa perspectiva muito válida e faz muito sentido com o que a obra nos comunica.

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