Resenha de "Até que a Morte nos una"

Divertida, provocativa, promissora. Uma das melhores HQs que já li, embora curtinha.
Dona Morte tem um filho, o tal Ceifador, que começa contando a história. Ele não mata, só ceifa. E a história, como tantas histórias contadas pela Morte, não é dele: são de 4 fugitivos numa cidade no Velho Oeste. A descrever assim como os anúncios de "procurados" deles, são:
Estrela Caída (um xerife que, em algum momento anterior, furou a lei e definitivamente não queria estar ali);
Mãos de Pólvora (bandido também condenado por homossexualidade);
Lebre Vermelha (caçadora de recompensas e parceira em crime com Estrela);
Rosa do Deserto (prostituta e condenada por assassinato);
Lebre e Rosa são um casal; Estrela e Pólvora eu espero que sejam em breve. O fato é que eles conseguem escapar da prisão e fogem pelo deserto, parando em uma cidade deserta. É quando a Morte/o Ceifador (mas não a "dona" morte) topa com eles, embora não seja a hora dos 4. Morte se vai e a história tem uma pausa, pois a Morte teve que fazer um xixi.
E beleza, a narrativa é simples, preto e branco, numa encadernação simples também; com um estilo enxuto que precisaria de uma atenção especial à tangentes (a página 4 me pegou um pouco). Mas que maestria em conduzir personagens TÃO carismáticos em pouquíssimas páginas.
Estou obcecada.
Existe uma história maior ali acontecendo, é possível entender isso. Mais do que isso, você quer. Por que eles foram presos? Que assassinato que eles se envolveram? Se apenas Lebre e Rosa parecem se dar bem, por que diabos os 4 se juntaram nessa peripécia toda? E como Morte conhece Estrela? Por que Morte está contando esse tipo de história? Em que situação eles morreram?
Todos os personagens são muito únicos e não somem, mesmo em grupo. É uma coisa difícil de lidar e gente mais experiente em quadrinhos sofre com isso. Aqui, foi igual passar manteiga no pão.
Espero que pausa para Morte esvaziar a bexiga não seja tão demorada, de verdade. O volume 1 mal saiu e eu preciso do volume 2.


