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Logo do site Leia Quadrinhos, uma HQ aberta em tons terrosos
multidão de artistas LGBTQIAPN+ reunidos no festival do vale

HQs com orgulho: Grupo de estudos de HQs LGBTQIA+

Público·15 membros

Desvios transtornantes

A HQ já começa com uma proposta de dar voz para pessoas trans em Ribeirão Preto, uma cidade no interior de São Paulo. O próprio formato físico chama atenção porque você não apenas lê, você segue pelas ruas de Ribeirão Preto ao abrir e virar páginas, no começo fiquei meio confusa em como ler mas depois me acostumei. A arte dá uma seriedade e humanidade para as pessoas entrevistadas que eu gostei bastant.


Não sei muito o que dizer porque a obra já fala por si só, a arte dá voz para quem se vê deixado de lado pela sociedade, um "pause" em um mundo onde apenas um padrão é considerado correto para uma outra perspectiva.

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Desvios Transtornantes

A proposta de um livro em quadrinhos dentro em uma pequena caixa, que remete à embalagem de um DVD, já sugere, assim como o título, um desvio. Esse objeto, tal qual o próprio livro, nos convida a desviar do olhar cotidiano e enxergar nas ruas de Ribeirão Preto a realidade de pessoas inviabilizadas socialmente, mas que encontram a possibilidade de fala.

É interessante como cada uma dessas pessoas se conectam pela experiência comum, sobretudo, pela resistência. Me emociona como a HQ as insere no espaço urbano, reconhecendo-as como parte da cidade. Acho de grande importância a representatividade que a obra nos trás. Embora não seja de Ribeirão Preto, e pouco conheça a cidade, sinto que a obra é capaz de me levar para esse passeio, em lugares que me parecem comum, e que talvez conecte outros nesse brasil à fora.

Parabenizo Luana pelo trabalho incrível.

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Resenha de "Minha Experiência Lésbica com a Solidão"

Quadro da obra; a mulher senta-se no meio de uma bagunça e pensa consigo mesma que achava que sexo era inato, mas é comunicação.
Trecho da obra, em que Nagata conclui que "sexo é comunicação".

Posso elogiar a obra por ser muito honesta, mas fico mais incerta de elogiar muito mais além disso.


É claro que minha opinião pouco importa porque é a experiência pessoal da autora — Kabi Nagata — que, com 28 anos, se dá conta o quanto é uma pessoa sem traquejos sociais, incluindo sexo. Essa ansiedade pela própria virgindade a faz contratar uma "acompanhante" em uma agência e enfim ter uma experiência sexual que, diga-se de passagem, é a experiência menos sexual possível. A premissa é basicamente essa e não é bem um spoiler porque o começo já explica o geral que a fez estar naquela situação incômoda. No restante da obra, atravessamos os severos problemas com saúde mental e relações familiares de Nagata.


Primeiro, os merecidos créditos: Nagata explora bem a própria vulnerabilidade e até mesmo sentimentos que podem ser considerados humilhantes ou tabus, como a necessidade de validação e…


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Kamila Emi
Kamila Emi
19 de mai.

O comentário que mais me chamou atenção foi sua crítica na obssessão própria de Nagato, então vou dissertar sobre ela aqui.


Acredito que o fato de Nagato repetir várias vezes como é "patética" pode ser uma faca de dois gumes. Aos olhos de alguém que teve uma experiência parecida em relação a saúde mental, pode ser acolhedor ao leitor e uma sensação de pertencimento mas ao mesmo tempo fazer ao leitor se sentir mais confortável em se afundar nessa "exploração voyeurística do próprio sofrimento" que você mencionou, e não a uma futura fuga do abismo mental.


Deste aspecto vejo ela como negativa. Porém, eu pessoalmente vejo o mangá quase como um "diário" de Nagato, ela relata suas experiências não apenas com objetivo de se relacionar com o leitor, mas de se expressar artísticamente em uma forma de desabafo.


Não vejo como negativa, nem positiva. Vejo como um desabafo de alguém sofrendo com transtornos mentais e não como um simples mangá. Não sei se me expresso bem, mas senti quase o mesmo sentimento lendo "O declíneo de um homem" de Osamu Dazai.

Resenha de "Desvios Transtornantes"

Mão segurando a envoltura da HQ "Desvios Transtornantes", uma HQ quadrada; o quadrado é escuro com o título em prata em tipografia de graffiti.
envoltura da HQ "Desvios Transtornantes", com exemplares distribuídos em encontro em 24/03/25

Reconhecer as ruas de Ribeirão Preto nas ilustrações de "Desvios Transtornantes" não é a única coisa que me trouxe certa sensação de familiaridade ao ler essa HQ. As conversas que perpassam todas as páginas puxam qualquer um para perto, com intimidade, mesmo que a própria rotina não seja parecida com as pessoas ali retratadas. Na minha primeira leitura, lembro-me de comentar justamente sobre isso: como a HQ parece uma grande conversa — Luana estava por perto quando comentei isso e complementou: como as pessoas parecem conversar entre si.


Não existe começo, meio ou fim narrativo; assim como não existe uma ordem exata para você folhear esse projeto gráfico que dar inveja. Mas isso não significa a ausência de uma seleção muito sensível sobre quais conversas aparecem primeiro e o que aparece depois.


No começo de cada fala de alguém, por exemplo Fernanda, Leon, Daitô, há detalhes iniciais de como essa…


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