Minha lésbica solitaria
Adorei a história contada em Minha Experiência Lésbica com a Solidão. Primeiro, o livro é muito bonito. Ele mantém a paleta de cores rosa durante todo o mangá, o que dá um toque quase infantil à história. Isso cria um contraste interessante na obra. Durante boa parte da narrativa, a autora relata situações bem introspectivas e adultas. E, quando digo adultas, me refiro a experiências da vida adulta mesmo, como trabalho, morar sozinha, vida sexual etc. Na minha visão, ela apresenta esses temas de forma infantil justamente porque não se sente crescida o suficiente para lidar com essas questões.
Um debate que tivemos no encontro foi sobre a autora ser ou não uma narradora confiável, e isso foi algo em que fiquei pensando durante a leitura do mangá. Embora ela esteja narrando o que sentiu ao longo da própria vida, em algumas situações parece se vitimizar, como se o mundo conspirasse contra ela o tempo todo. Pensando na possibilidade de ela não ser uma narradora confiável, muitos acontecimentos da história podem ser vistos como fruto desse vitimismo.
Para mim, as cenas em que ela interage com os pais exemplificam bem essa situação. Em vários momentos, parece que ela quer se sentir vítima de uma situação em que nem houve conflito.
Já a experiência lésbica em si não agrega tanto à história. Ela representa um ponto de virada na vida da protagonista, mas não por causa do sexo ou da experiência em si, e sim por ter sido uma barreira que ela finalmente conseguiu ultrapassar.

